O Brasil se consolidou como o terceiro país mais atingido por incidentes cibernéticos públicos em todo o mundo. A conclusão faz parte do levantamento recém-divulgado pela empresa de segurança Trellix, que mapeou casos registrados entre o final de 2025 e o início de 2026. O País respondeu por 3,45% das ocorrências globais, patamar superado apenas por Índia (5,27%) e Estados Unidos (6,8%).
O avanço das ocorrências acompanha a sofisticação das táticas usadas pelo crime digital, com destaque para a automação por inteligência artificial (IA) e o direcionamento de fraudes contra pagamentos instantâneos, destaca a pesquisa. No cenário doméstico, os golpistas combinam engenharia social, roubo de dados de acesso e mensagens fraudulentas para desviar valores via Pix, além de adaptar golpes tradicionais para torná-los mais críveis e difíceis de barrar.
“Os cibercriminosos estão direcionando cada vez mais seus ataques ao ecossistema de identidade digital do Brasil, combinando IA, phishing e roubo de credenciais para automatizar fraudes em larga escala. As organizações precisam ir além da detecção tradicional e concentrar seus esforços em uma segurança baseada em comportamento e identidade”, afirma Rodrigo Buosi, country manager da Trellix no Brasil.
Os invasores utilizam a inteligência artificial para alterar códigos rapidamente e personalizar mensagens falsas. Essa flexibilidade diminui a eficiência dos antivírus e sistemas clássicos de proteção, que procuram apenas por assinaturas já catalogadas.
O levantamento ressalta que ferramentas comerciais de IA baratearam os custos operacionais do crime. Esse movimento permite que tarefas complexas sejam executadas de maneira automática por grupos menores ou com menor qualificação prévia.
Outro ponto de alerta no País é a invasão disfarçada por meio de programas comuns do próprio computador, como ferramentas padrão do sistema operacional Windows, além de serviços legítimos de nuvem. Ao utilizar esses recursos que compõem a rotina de trabalho de grande parte das empresas, os agentes maliciosos conseguem movimentar dados sigilosos e espionar rotinas corporativas sem levantar suspeitas imediatas dos administradores de rede.
Diferentes impactos e consequências
O impacto desse cenário atinge de forma desigual os setores produtivos e institucionais. Durante os primeiros meses de 2026, os órgãos governamentais concentraram 39% das detecções da Trellix no Brasil. O setor de telecomunicações ficou na segunda posição, com 33%, seguido pelas instituições financeiras, com 16%. Empresas de serviços e o segmento de educação somaram 6% cada.
A conjuntura política e eleitoral também amplia a vulnerabilidade nacional. O estudo aponta que conflitos diplomáticos e eleições atraem ataques coordenados contra estruturas públicas e serviços essenciais. Com a evolução dos recursos visuais e sonoros sintéticos, a preocupação dos analistas recai sobre a criação de materiais falsos para desinformação e roubo de identidades.
“Esta será a primeira eleição presidencial brasileira em que ferramentas de IA generativa estarão amplamente acessíveis e suficientemente avançadas para criar imagens, vídeos e vozes sintéticas altamente realistas. Isso representa um novo cenário para o país e aumenta os riscos de campanhas de desinformação, golpes de engenharia social e tentativas de manipulação. Para compreender o desafio que enfrentaremos, 70% dos brasileiros acreditam que a IA pode influenciar o resultado das eleições deste ano”, alerta Buosi.
Para responder à escalada das ameaças, a companhia recomenda que empresas e governos abandonem a postura reativa e adotem modelos de monitoramento contínuo. A estratégia passa por proteger identidades corporativas, controlar rigorosamente as permissões concedidas a assistentes digitais autônomos e acompanhar desvios de padrão nas contas de usuários antes que o invasor consiga se estabelecer nos sistemas.
Fonte: Estadão






















