Material reúne mais de 70 diretrizes para transformar os espaços públicos da região central, com foco em mobilidade, convivência e sustentabilidade
O Sindicato dos Engenheiros no Estado de Santa Catarina (Senge-SC) esteve presente, nesta terça-feira, 18 de março, na apresentação do estudo “Floripa Centro: Repensando os Espaços Públicos para as Pessoas”, realizada no Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), em Florianópolis. A entidade foi representada pelo diretor financeiro do Senge-SC e também diretor financeiro da FNE, engenheiro Carlos Bastos Abraham.
O encontro marcou a conclusão da etapa de estudos e a entrega de um conjunto de diretrizes que poderão orientar futuras intervenções urbanas no Centro da capital. O trabalho reúne mais de 70 propostas voltadas à qualificação dos espaços públicos, com foco em acessibilidade, sustentabilidade e valorização da convivência.
Para Abraham, o projeto apresentado pela empresa Gehl foi de altíssima qualidade técnica, e representa uma oportunidade estratégica para reposicionar o Centro de Florianópolis a partir de uma nova forma de pensar a cidade. “O estudo traz um conceito contemporâneo de rua e de convivência urbana, com soluções bem estruturadas e alinhadas às melhores práticas internacionais. É uma oportunidade concreta de transformar o Centro em uma referência para Santa Catarina, para o Brasil e até em nível global. Agora, cabe ao poder público avaliar e dar os próximos passos para que essas ideias saiam do papel, o que passa necessariamente pela construção de parcerias com a iniciativa privada, fundamentais para viabilizar a implementação das propostas, além, é claro, do apoio da sociedade local”, destacou.
Entre as diretrizes apresentadas, o engenheiro chamou atenção para aspectos como a priorização da mobilidade nas zonas escolares, o aumento das áreas verdes, a melhoria da segurança nas travessias e a integração do transporte público à dinâmica urbana. Também ressaltou a proposta do urbanismo tático, com intervenções de curto prazo, e a valorização da caminhabilidade contínua, com calçadas mais amplas, acessíveis e sem interrupções. “Há ainda recomendações importantes para as vias locais, como a redução da velocidade, o nivelamento entre ruas e calçadas e a qualificação do mobiliário urbano, com mais arborização e conforto para as pessoas”, acrescentou.
O estudo apresenta soluções que envolvem diferentes dimensões da vida urbana, como mobilidade, uso dos espaços públicos, integração com áreas históricas e estímulo ao convívio social. Entre as propostas estão a criação de uma nova praça verde no entorno do Mercado Público, conectada ao Terminal de Integração do Centro (TICEN); a implantação de uma zona escolar na Rua Esteves Júnior, priorizando a circulação de cerca de 5 mil estudantes; e novas possibilidades de conexão entre a cidade e o mar, incluindo travessias mais seguras na Avenida Beira-Mar Norte.
Desenvolvido ao longo de meses, a partir de análises técnicas e processos participativos com diferentes setores da sociedade, o material também propõe o incentivo à mobilidade ativa, o fortalecimento da caminhabilidade, a ampliação de áreas de convivência, a valorização do patrimônio histórico e o estímulo ao uso misto do Centro, integrando moradia, comércio e serviços.
A iniciativa contou com a participação da Gehl Architects, escritório internacional fundado pelo urbanista dinamarquês Jan Gehl e reconhecido por projetos que priorizam o uso humano dos espaços urbanos. Também participaram do desenvolvimento entidades como a Câmara de Dirigentes Lojistas de Florianópolis (CDL), a Associação Empresarial de Florianópolis (ACIF) e o Laboratório de Urbanismo e Arquitetura (LUA), com apoio institucional da Prefeitura de Florianópolis.
A entrega do estudo à administração municipal abre caminho para que as propostas sejam avaliadas e possam subsidiar políticas públicas e projetos futuros voltados à revitalização do Centro de Florianópolis.






















