Os 10 anos da TERA Energia servem de ponto de partida para uma reflexão sobre o futuro do setor elétrico, a responsabilidade técnica e o papel da engenharia no desenvolvimento do país.
A engenharia elétrica brasileira vive um dos períodos de maior transformação de sua história. A expansão das fontes renováveis, a digitalização das redes, o crescimento do mercado livre de energia, os sistemas de armazenamento por baterias e o avanço da inteligência artificial vêm redefinindo a forma de produzir, distribuir e consumir energia. Inserida nesse cenário, ao completar dez anos, a TERA Energia consolida uma trajetória construída sobre engenharia, inovação e responsabilidade técnica. A história da empresa acompanha a própria trajetória profissional de seu fundador, o engenheiro eletricista Flavio Wacholski, cuja atuação reúne experiência em distribuidoras de energia, empreendedorismo e participação em importantes entidades da engenharia brasileira.
Fundada em 7 de julho de 2016, em São Bento do Sul, pelos engenheiros eletricistas Flavio Wacholski e Tiago Dalpiaz, a TERA Energia nasceu em Santa Catarina com foco em soluções de engenharia para infraestrutura elétrica. Ao longo da última década, ampliou seu campo de atuação para projetos de geração distribuída, subestações, redes de distribuição, mercado livre de energia, autoprodução, centrais de geração e, mais recentemente, sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS). Hoje, atua em diversos estados brasileiros, desenvolvendo soluções para clientes dos setores industrial, comercial e de serviços. Entre os projetos desenvolvidos estão empreendimentos como o Corporate Park, a Friolar Ovos e a Móveis Paulo, empresa reconhecida nacionalmente no setor moveleiro, além de outras obras de infraestrutura elétrica em Santa Catarina e em diferentes regiões do país.
Uma empresa construída sobre a confiança
Ao relembrar a criação da empresa, Flavio Wacholski, que já foi conselheiro representando o Senge-SC no Crea-SC, afirma que o objetivo nunca foi apenas abrir mais uma empresa de engenharia, mas construir uma organização reconhecida pela excelência técnica e pela credibilidade. “Quando fundei a TERA, em 2016, não tinha como principal objetivo criar apenas mais uma empresa de engenharia. O propósito era construir uma organização reconhecida pela excelência técnica, pela credibilidade e pela confiança.”
Segundo ele, essa visão foi moldada pela experiência profissional adquirida nas distribuidoras de energia, primeiro na Copel, no Paraná, e posteriormente na Celesc, em Santa Catarina, onde participou de atividades ligadas à operação, expansão e planejamento dos sistemas de distribuição de energia. “Essas experiências me ensinaram que a engenharia deve sempre colocar a segurança, a qualidade e o interesse da sociedade em primeiro lugar. Levei esses princípios para a iniciativa privada e eles se tornaram parte da identidade da TERA.”
Para o engenheiro, o maior patrimônio construído ao longo da primeira década não pode ser medido apenas pelo crescimento da empresa ou pela expansão geográfica. “Ao completar dez anos, considero que nossa maior conquista não está apenas na quantidade de projetos executados ou na expansão para diversos estados brasileiros. O maior patrimônio que construímos foi a confiança. Ela foi conquistada diariamente, por meio de relações duradouras com clientes, parceiros e equipes que acreditaram no nosso trabalho.”
Ele resume essa trajetória em uma frase que considera fundamental para qualquer profissional da área. “Na engenharia, a reputação não se constrói por discursos, mas pela consistência das entregas.”
A engenharia vive uma transformação sem precedentes
Ao longo desses dez anos, a evolução da empresa acompanhou as profundas mudanças pelas quais passa o setor elétrico brasileiro. Para Wacholski, nunca houve um período de tantas transformações simultâneas. “Tive a oportunidade de acompanhar essa transformação por diferentes perspectivas. Nas concessionárias vivi uma realidade voltada à operação e expansão do sistema elétrico. Posteriormente, na engenharia consultiva e no empreendedorismo, acompanhei a consolidação da geração distribuída, o crescimento das energias renováveis, a digitalização das redes elétricas, a abertura gradual do mercado livre de energia e, mais recentemente, o avanço dos sistemas de armazenamento de energia.”
Na avaliação do engenheiro, essa nova realidade exige um perfil profissional cada vez mais amplo. “O engenheiro eletricista de hoje precisa dominar muito mais do que cálculos e normas técnicas. É necessário compreender regulação, inovação, sustentabilidade, transformação digital e novos modelos de negócios. A engenharia tornou-se cada vez mais multidisciplinar.”
Apesar das mudanças tecnológicas, ele destaca que um aspecto permanece inalterado. “Ao mesmo tempo, permanece algo que nunca muda: a responsabilidade técnica. Independentemente da tecnologia utilizada, a sociedade continuará confiando ao engenheiro decisões que impactam diretamente a segurança das pessoas e o desenvolvimento do país.”

Granja Friolar, em Araquari. Contempla energia solar em paralelo com a rede Celesc e o gerador diesel do cliente
Engenharia catarinense com atuação nacional
A expansão da TERA para diferentes estados também representa, na visão de Wacholski, uma oportunidade de demonstrar a qualidade da engenharia desenvolvida em Santa Catarina. “Santa Catarina sempre foi referência nacional pela qualidade da sua engenharia e pelo espírito empreendedor dos seus profissionais. Poder levar uma empresa catarinense para atuar em diferentes regiões do Brasil representa muito mais do que crescimento empresarial. Significa demonstrar que a engenharia desenvolvida aqui possui elevado padrão técnico e capacidade para atender projetos dos mais diversos portes e complexidades.”
Segundo ele, cada novo empreendimento amplia a experiência da equipe, mas também reforça a responsabilidade de representar a engenharia catarinense. “Sempre que iniciamos um novo projeto, levamos conosco os valores da engenharia catarinense: seriedade, competência técnica, ética e compromisso com a qualidade.”
Formação permanente e compromisso com a profissão
Ao falar aos estudantes e jovens engenheiros, Wacholski afirma que o momento atual oferece oportunidades únicas para quem escolheu atuar no setor de energia. “Estamos vivendo uma das maiores transformações da história da energia. Fontes renováveis, armazenamento, inteligência artificial, redes inteligentes, mobilidade elétrica e digitalização estão redefinindo completamente o setor.”
Ele ressalta, porém, que nenhuma inovação tecnológica substitui os princípios que historicamente orientam a profissão. “A tecnologia muda rapidamente. Os princípios da engenharia permanecem.”
Por isso, aconselha os novos profissionais a investirem continuamente em conhecimento. “Meu conselho é que invistam continuamente em conhecimento, sejam curiosos, mantenham-se atualizados e nunca deixem de estudar. Porém, acima de tudo, preservem valores que nenhuma inovação tecnológica substituirá: ética, responsabilidade técnica, humildade para aprender e compromisso com a sociedade.”
Outro ponto que considera essencial é a participação nas entidades representativas. “Também incentivo os jovens engenheiros a participarem das entidades de classe. Foi justamente essa participação que me permitiu ampliar minha visão sobre a profissão e compreender que a engenharia não se resume aos projetos que desenvolvemos. Ela também é construída coletivamente, por meio do diálogo, da representação institucional e da contribuição para o fortalecimento da profissão.”
Entidades fortes para uma engenharia forte
A defesa da engenharia também marcou a trajetória institucional de Flavio Wacholski. Durante seis anos, ele representou o Senge-SC como conselheiro da Câmara Especializada de Engenharia Elétrica do Crea-SC. Posteriormente, integrou a Diretoria do CREA-SC, representou o CONFEA em Grupo Técnico junto ao Ministério de Minas e Energia e também atua na Diretoria da APESC (Associação dos Produtores de Energia de Santa Catarina) e da ABGD (Associação Brasileira de Geração Distribuída), contribuindo para o desenvolvimento técnico e institucional do setor energético brasileiro.
Essa experiência reforçou sua convicção sobre a importância das entidades representativas para o desenvolvimento da profissão. “Uma engenharia forte depende de instituições igualmente fortes.” Para ele, o Sistema Confea/Crea desempenha papel essencial na proteção da sociedade, garantindo que atividades técnicas sejam desenvolvidas por profissionais legalmente habilitados e comprometidos com elevados padrões éticos e técnicos.
Da mesma forma, destaca a atuação do Sindicato dos Engenheiros no Estado de Santa Catarina. “O Senge-SC exerce um papel indispensável na valorização dos engenheiros, na defesa das condições de exercício profissional, na qualificação permanente da categoria e na promoção dos debates que ajudam a construir o futuro da engenharia.”
Na avaliação do engenheiro, um dos principais desafios das próximas décadas será preparar profissionais capazes de acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas sem perder de vista os fundamentos da profissão. “Acredito que o maior desafio das próximas décadas será formar profissionais altamente qualificados para responder às transformações tecnológicas que já estão acontecendo. Para isso, precisamos de entidades atuantes, capazes de aproximar universidades, empresas, profissionais, poder público e sociedade.”
Ao concluir, Wacholski reafirma sua confiança na atuação coletiva da categoria. “Tenho orgulho da trajetória construída até aqui e acredito que os próximos anos trarão oportunidades ainda maiores para profissionais dispostos a inovar, empreender e atuar com responsabilidade técnica. É esse compromisso que continuará guiando a TERA e a nossa atuação na engenharia brasileira.”















