Em 1926 foi inaugurada a Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, a primeira ligação física entre a Ilha de Santa Catarina e o continente. Foi idealizada pelo então governador Hercílio Luz, um visionário para sua época, que infelizmente não viveu para vê-la entrar em funcionamento.
Projetada como ponte pênsil, capaz de suportar inclusive vagões ferroviários, teve seu funcionamento interrompido em 1982, em função do rompimento parcial de uma barra de olhal, peça em aço fundido utilizada, em conjunto com outras centenas delas, para suportar a carga da estrutura, que pesa aproximadamente 5 mil toneladas.
A saga da sua recuperação durou intermináveis 27 anos, tendo sido reaberta ao tráfego em 30 de dezembro de 2019, depois de passar por um trabalho fantástico e inédito de engenharia, levado a cabo por uma empresa portuguesa, a Teixeira Duarte, que contou com o apoio da indústria nacional (USIMINAS) para a produção de todas as peças de aço necessárias à recuperação, como 260 barras de olhal, 373 longarinas e 53 transversinas, além de milhares de rebites de aço.
Importante mencionar a dedicação do ex-governador Raimundo Colombo, que teve a grandeza e a iniciativa de lançar essa mega obra de engenharia para ver essa obra concluída, não tendo medido esforços para tanto, E também a participação de outras empresas nacionais, como a RMG Engenharia, no acompanhamento técnico da obra, bem como a dedicação dos técnicos e engenheiros do antigo Deinfra.
Como profissional da engenharia mecânica, sinto-me privilegiado de ter tido a oportunidade de participar, durante quatro anos seguidos (2016 a 2019 ), da Comissão de Acompanhamento da obra de recuperação da ponte, uma experiência inédita e gratificante que me mostrou a enorme complexidade dos trabalhos e as exigências quase instransponíveis de segurança que foram necessárias ser implantadas para garantir a integridade dos trabalhadores e de toda a sociedade.
Nesta data comemorativa, que ficará na memória de todos os catarinenses, é necessário alertar os nossos governantes e o excelente corpo técnico dos nossos órgãos de engenharia sobre a necessidade premente e urgente de se manter em dia a implementar uma manutenção preventiva desse gigante de aço, símbolo maior de Santa Catarina, que sobrepaira entre as baías norte e sul como um eterno vigilante das nossas belezas naturais sem par.
Eng. Mec. Carlos Bastos Abraham
Dir. Financeiro do Senge-SC e da FNE – Federação Nacional dos Engenheiros






















