Programação técnica reuniu especialistas para discutir os desafios da infraestrutura viária e a necessidade de políticas permanentes de manutenção
A programação técnica do Seminário “Pontes de Santa Catarina – Patrimônio, Segurança e Inovação”, promovido pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado de Santa Catarina (Senge-SC), com apoio do CREA-SC, reuniu nesta terça-feira, dia 12, especialistas da engenharia, representantes de órgãos públicos, empresas e instituições para discutir os desafios relacionados à manutenção, segurança estrutural, inovação tecnológica e gestão das pontes catarinenses.
Ao longo do dia, foram apresentados vídeos institucionais do Senge-SC e do CREA-SC, destacando o trabalho desenvolvido pelas entidades em defesa e valorização dos profissionais da engenharia. Também foram exibidos vídeos produzidos pela Prefeitura de Florianópolis e pelo Senge-SC em homenagem à Ponte Hercílio Luz, resgatando diferentes momentos da história da estrutura ao longo das décadas.
O primeiro painel, “Panorama das pontes em Santa Catarina”, foi conduzido pelo engenheiro civil Alysson de Andrade, representante do DNIT. Durante a apresentação, ele abordou as condições das estruturas federais no estado e destacou a importância da vigilância permanente e das políticas preventivas de manutenção. Segundo ele, cerca de 80% das 9,6 mil pontes existentes no Brasil foram construídas entre as décadas de 1950 e 1970, sob normas técnicas que sequer previam vida útil para essas estruturas. “Nossa geração vai ter que resolver isso”, afirmou. Andrade destacou ainda que, até o fim deste ano, todas as 205 pontes administradas pelo DNIT em Santa Catarina terão contratos ativos de manutenção e inspeção periódica.
Estudos de casos
No segundo painel, o engenheiro José Abel da Silva, ex-fiscal da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade de Santa Catarina e fiscal da obra de restauração da ponte Hercícilio Luz, apresentou um estudo de caso sobre a Ponte Hercílio Luz. Ele relembrou os desafios enfrentados durante as obras de recuperação da estrutura e destacou a importância da manutenção contínua após a entrega da obra. “Ela precisa de check-ups semanais, quinzenais, mensais e anuais, com preenchimento rigoroso das fichas de inspeção para avaliação das possíveis irregularidades”, explicou. José Abel também relembrou a participação do Sindicato dos Engenheiros no Estado de Santa Catarina (Senge-SC), por meio do engenheiro Carlos Bastos Abraham, na comissão permanente de acompanhamento da restauração da ponte desde 2016 até a entrega da obra, em 2019. Durante a apresentação, reforçou que “não há e não pode haver política na engenharia”.
Na sequência, o engenheiro Wenceslau Jerônimo Diotallevy, que trabalhou no antigo Deinfra-SC e no DER-SC e foi fiscal da obra de restauração da ponte Hercícilio Luz, conduziu o painel sobre as pontes Colombo Salles e Pedro Ivo Campos. Ele chamou atenção para a necessidade de criação de uma cultura permanente de manutenção das estruturas públicas. “Falta política de Estado para consolidar essa cultura da manutenção”, afirmou. O engenheiro também ressaltou a importância da mobilização da sociedade civil organizada na cobrança por investimentos contínuos em infraestrutura e apresentou detalhes técnicos, históricos e construtivos das duas pontes que ligam a Ilha ao continente.
Técnicas e tendências futuras
O quarto painel trouxe o tema “Manifestações patológicas em pontes”, com o engenheiro Lucas dos Santos de Souza, representante da Civiltek. Em uma palestra de caráter técnico, ele abordou avaliações estruturais, recuperação de estruturas e técnicas de inspeção, apresentando imagens de fissuras, processos de corrosão e metodologias utilizadas para recuperação de pontes. Segundo o especialista, a principal palavra quando se trata de infraestrutura é “prevenção”. Ele também apresentou equipamentos utilizados em inspeções, como sensores térmicos e tecnologias voltadas ao monitoramento estrutural.
A programação seguiu com o painel “Segurança estrutural”, ministrado pelo engenheiro e professor Lourenço Panosso Perlin. Durante a apresentação, ele explicou métodos de investigação e diagnóstico de estruturas de concreto, incluindo ultrassonografia para identificação de falhas internas, vazios e corpos estranhos. “Gostaríamos muito que o concreto fosse eterno. Em uma época, acreditava-se nisso”, comentou. O professor também destacou tendências futuras, como sistemas inteligentes de monitoramento com sensores instalados em veículos, drones operados por inteligência artificial e modelos digitais completos das estruturas, capazes de simular situações e antecipar problemas.
Cases e inovação
O engenheiro Alexandre Mosimann Silveira, representante da Nova Engevix, apresentou o case da ponte em construção em Joinville, considerada por ele uma das maiores obras do gênero em andamento no estado. Durante o painel, detalhou os objetivos do município ao contratar o empreendimento, os desafios técnicos da execução, os sistemas construtivos utilizados e mostrou imagens atualizadas da obra, além da maquete eletrônica da estrutura após a conclusão.
Encerrando os painéis, o engenheiro Felipe Zacchi Gómez, representante do Ipos – Instituto de Especialização, abordou o tema “Inovação aplicada às pontes”. A palestra percorreu a evolução histórica das estruturas, os materiais utilizados ao longo do tempo e os avanços tecnológicos empregados atualmente em grandes obras. Entre as técnicas destacadas, ele citou os balanços sucessivos e o lançamento incremental, métodos utilizados em pontes de grandes vãos ao redor do mundo. Gómez também apresentou exemplos internacionais e destacou o protagonismo da engenharia chinesa na transformação da infraestrutura contemporânea.
Conhecimento técnico e troca de experiências
Ao final do evento, o diretor financeiro do Senge-SC, engenheiro Carlos Bastos Abraham, destacou o compromisso da entidade com a valorização profissional e o aperfeiçoamento técnico da engenharia. “A principal missão do Senge-SC é a defesa irrestrita dos profissionais da engenharia e o aperfeiçoamento constante da categoria. Foi isso que fizemos aqui hoje, promovendo conhecimento técnico e troca de experiências entre colegas”, afirmou.
Abraham também chamou atenção para a necessidade de continuidade das políticas públicas voltadas à infraestrutura e relembrou sua participação, durante quatro anos, na comissão de acompanhamento da restauração da Ponte Hercílio Luz. Ao comentar a obra, destacou o trabalho de excelência da empresa Teixeira Duarte, de Portugal, e MRV Engenharia, de Minas Gerais, responsáveis pela recuperação e reforçou a importância da manutenção permanente da estrutura, bem como o corpo técnico da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade. O diretor do Senge-Sc concluiu pedindo aos governantes que tenham responsabilidade e compromisso com a matuenção preventiva das pontes. Por fim, a presidente em exercício do Senge-SC, Karla Zavaleta, fez o encerramento oficial das palestras do dia.







































