Investigação aponta fraude, corrupção e lavagem de dinheiro na entidade de previdência; Senge-SC destaca a urgência de responsabilização e proteção aos participantes
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (8), a Operação “Sem Lastro em Santa Catarina” para apurar um esquema milionário envolvendo fraude, corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Fundação Celesc de Seguridade Social (Celos). O principal alvo é um ex-diretor financeiro, suspeito de participação em decisões que resultaram em prejuízos expressivos à entidade.
Durante a ação, foram bloqueados até R$ 365 milhões e apreendidos mais de 30 imóveis que, segundo as investigações, eram utilizados para ocultar recursos de origem ilícita. A PF aponta que valores da fundação foram direcionados a investimentos de alto risco e sem garantias, muitos deles considerados irrecuperáveis, além do uso de empresas em nome de terceiros para ocultação patrimonial.
De acordo com as informações da investigação, o foco recai sobre decisões tomadas entre 2004 e 2011, período em que a diretoria financeira da entidade teve papel central na condução de investimentos. Embora, por razões legais, o nome do investigado não seja amplamente divulgado, documentos históricos da própria Celos e processos da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) indicam a titularidade do cargo nesse intervalo. Posteriormente, a diretoria financeira passou a ser ocupada por Henri Machado Claudino, que permaneceu na função por cerca de 12 anos, até janeiro de 2023.
O Sindicato dos Engenheiros no Estado de Santa Catarina (Senge-SC) ressalta que cumpriu, de forma firme, responsável e reiterada, seu papel de denunciar as irregularidades e os prejuízos acumulados na gestão da Celos, não se omitindo diante de evidências que, ao longo dos anos, já indicavam a gravidade da situação.
A atuação do Senge-SC incluiu a orientação permanente dos participantes, a divulgação de informações por meio de boletins e a adoção de medidas judiciais com o objetivo de buscar a recomposição das perdas. Para a entidade, a operação representa um avanço necessário e tardio para interromper esse ciclo e assegurar a responsabilização dos envolvidos, com a expectativa de que os fatos sejam apurados em profundidade e resultem em punições efetivas, diante de um cenário que jamais poderia ter alcançado a dimensão observada.
O Senge-SC reforça, ainda, a necessidade urgente de garantir os direitos dos empregados que confiaram na fundação para assegurar sua aposentadoria e que agora se veem diante da obrigação de arcar com déficits decorrentes de gestões marcadas por decisões temerárias e falta de diligência. São centenas de famílias impactadas por prejuízos que não decorrem de suas escolhas, mas de práticas que comprometeram a sustentabilidade da entidade.
O histórico de alertas sobre a condução da Celos remonta a anos anteriores. Em 2017, o Senge-SC já havia noticiado a decisão da Previc de afastar três diretores da fundação — Ademir Zanella, João Paulo de Souza e Henri Machado Cláudio — por meio de inabilitação decorrente de auto de infração lavrado em 2016. Isso tudo aconteceu porque o Senge-SC já havia denunciado aos órgãos competentes, entre eles o Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC), que apurou os fatos. À época, embora houvesse possibilidade de recurso com efeito suspensivo, a medida foi considerada pelo Senge-SC como um reconhecimento formal da gravidade dos problemas na gestão da entidade.
Para o Senge-SC, a sequência de decisões ao longo dos anos contribuiu diretamente para o cenário que hoje impacta os participantes. Diante dos desdobramentos atuais, o Senge-SC reafirma seu compromisso com a defesa dos participantes e assistidos, com a transparência na apuração dos fatos e com a recuperação dos valores desviados, ressaltando que a responsabilização dos envolvidos é indispensável para restabelecer a confiança e evitar a repetição de episódios que comprometam a segurança previdenciária dos empregados.






















